O VERDADEIRO, DESENCANTO EU SOU! Nº 14 – O CAVALEIRO DA CONCÓRDIA PARTE 1

BANDEIRA RACIONAL 1

(JORGE ELIAS, Jornalista, autor do Livro “O Cavaleiro da Concórdia”)

 

 

 

Pedreiro de profissão, Nelson Nunes de Almeida mal podia caminhar. Uma enorme ferida surgira em sua perna esquerda, provocando-lhe dores terríveis. Enquanto tinha dinheiro, consultou vários médicos e nada, a perna cada dia inchava mais, para o seu desespero. Até a pequenina casa, na Rua Mello e Souza, em São Cristóvão, acabou abandonando por falta de pagamento.

Desempregado, sofrendo muito, Nelson não sabia mais o que fazer. Sua mulher e seus filhos foram levados para a casa de sua sogra e estavam sendo sustentados por seus irmãos, as dores aumentavam, a perna inchando, inchando. Sem dinheiro, mal podia comprar remédios, cuidar do ferimento. Agora, até o socorro médico nos hospitais públicos tornava-se penoso, devido às dificuldades de locomoção.

Naquela manhã, a coisa piorou. A ferida abriu de vez, aumentando-lhe ainda mais as dores. Nelson chorava inconsolável:

– Por que meu Deus, por quê? Eu tinha saúde, o meu trabalho, a minha família. Era um homem feliz, de repente a desgraça. Não posso entender, meu Deus, nunca fiz mal a ninguém, sempre fui um homem bom. Por quê? Por quê, meu Deus?

– Por que tá chorando tanto assim, homê de Deus. Não se desespere não, nem tudo tá perdido nesta vida.

– Como? O que a senhora está falando? Estou sentindo muita dor. Não tenho o que comer, perdi minha família, meus filhos, meu trabalho, minha casa. Agora vou perder minha perna, vou morrer. Talvez seja melhor morrer.

– Vou ti ajudá, homê, vou ti ajudá.

– Me ajudar? Ninguém pode me ajudar, ninguém…

– Homê, você tá enganado. Tem uma pessoa na Terra que pode ti ajudá.

– Quem?

– O Manué.

– Manoel?… Quem é Manoel?

– Mora no Méier, mas já morô na Praça da Bandeira. Tem um centro, mas não é daqui. Veio de longe. Eu mi lembro du dia que ele veio, eu mi lembro.

A mulher continuava falando, falando e olhando para o céu, buscando alguma coisa. Seus olhos refletiam à luz e o brilho tornava o mistério ainda maior. Nelson não entendia nada, mas continuou curioso e também esperançoso:

– Se existe esse homem que pode me curar, diminuir o meu sofrimento, por que não vou procurá-lo?

Desejava ir até ele, sim, mas como, se não tinha sequer o dinheiro para a condução:

– Minha senhora, onde mora esse homem? Em que rua? Eu preciso falar com ele, eu preciso…

– Você vai falá com o Manué, você vai falá. Tenha paciência, você vai falá com o Manué ainda hoje. Vou lhe explicá direitinho. Chegando lá, você vai tê que esperá.  Tenha paciência, meu fio, espere o tempo que for. O Manué anda muito ocupado, conversando com Deus, recebendo a mensage du céu. Por isso, espere. É preciso saber esperar, você num vai arrependê, não.

– Quando ele me perguntar quem me mandou lá, o que devo dizer, minha senhora?

– Diga que foi uma amiga dele, a véia Amélia Baiana.

Nelson ficou arrepiado ao ouvir aquele nome. Uma sensação estranha, forte, diferente, vibrante, sacudiu o seu corpo. Emoção incontida tomou conta de seu peito e seus olhos se encheram de lágrimas. Aquela mulher que ali estava não era uma mulher qualquer nem tampouco aparecera em sua vida por acaso. Naquele reencontro havia o dedo de alguém e também uma luz a indicar-lhe o caminho.

– Você tem dinheiro, meu fio?

– Não senhora, eu não tenho.

– Então tome aqui o trocadinho, você vai precisá. Agora vá, procure o Manué.

Nelson foi esperançoso, arrastando o corpo, perna inchada, ficando roxa. Seu entusiasmo e a certeza de que ia ficar curado era tão grande, tão grande, que foi embora sem perguntar à Amélia Baiana onde ela morava. Se ficasse curado, como ia agradecê-la:

– Sou um distraído, um mal-agradecido – falou baixinho.

Sobre nalub7

Uma pessoa cuja preocupação única é trabalhar em prol da verdadeira consciência humana, inclusive a própria, através do desenvolvimento do raciocínio, com base nas leis naturais que regem a natureza e que se encontram no contencioso da cultura natural da natureza, a CULTURA RACIONAL, dos Livros Universo em Desencanto.
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2 respostas para O VERDADEIRO, DESENCANTO EU SOU! Nº 14 – O CAVALEIRO DA CONCÓRDIA PARTE 1

  1. Mary Sana disse:

    Maravilhoso RELATO, dentre tantos que todos aqueles que estudam a Cultura Racional dos Livros ”Universo em Desencanto” têm conhecimento!
    E na particularidade de cada estudante DESSA MAGNÂNIMA OBRA, existem casos e casos RESOLVIDOS com naturalidade, pois o DONO DO CONHECIMENTO tem total controle sobre a fraca, degenerada, deformada e poluída matéria.
    Acima e muito acima de CASOS RESOLVIDOS para todos nós, está o objetivo da presença do PODER SUPREMO VERDADEIRO no Universo, que é a transformação de tudo e todos ao estado verdadeiro natural em ENERGIA DE VIDA ETERNA.
    Nossa gratidão pela MISERICÓRDIA do socorro prestado em tempo PELO ALTO PODER UNIVERSAL a todos nós fraquíssimos seres materializados, pois necessitamos de concentração no ESTUDO RACIONAL e a preponderância de PAZ, SAÚDE e SOSSEGO, para a sua EFICAZ ABSORÇÃO!

    Curtido por 1 pessoa

    • nalub7 disse:

      Realmente, Mary, nossa condição é tão precária que impossibilitou, em todos os tempos, que fôssemos capazes de banir os sofrimentos. Aí está a prova e comprovação de que a sabedoria que acumulamos é falsa e de que o Verdadeiro DONO do Mundo jamais foi conhecido antes da Fase Racional e, consequentemente também desconhecida sua cultura.
      E somente ELA, a Cultura Racional, tem força e poder para fazer preponderar a paz, a saúde e o sossego!
      Gratíssimos pelo belo comentário!

      Curtido por 1 pessoa

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