O VERDADEIRO, DESENCANTO EU SOU! Nº 16 – O CAVALEIRO DA CONCÓRDIA PARTE 3

BANDEIRA RACIONAL 1

(JORGE ELIAS, Jornalista, autor do Livro “O Cavaleiro da Concórdia”)

 

 

Em Belford Roxo, Manoel Jacintho Coelho mandou construir, seguindo orientação superior, um palácio de arquitetura neoclássica, com amplo átrio, sustentado por colunas e pórticos, relembrando a nobreza da Grécia antiga. Aquele casarão singular, destacado na paisagem, passaria a ser o templo do RACIONAL SUPERIOR na Terra e iria atrair a atenção de milhares de pessoas.

Mas logo que Manoel começou a construí-lo, recebeu uma visita inesperada, a de um pedreiro que desejava trabalhar:

– Tem um homem aí Seu Manoel, querendo trabalhar. Disse que era pedreiro, profissional de muita experiência.

Ao receber a informação, Manoel mandou dispensá-lo, alegando não haver vagas:

– Mande esse homem voltar outro dia. Por enquanto não há vaga. Bem que gostaria, mas não posso dar trabalho a todo mundo. Preciso terminar a obra e quem trabalha quer ganhar, porque precisa comer, morar e se vestir. Avise a ele para voltar outro dia, avise…

Mas o homem insistiu. Queria trabalhar e pronto. Mesmo tendo sido informado pelo encarregado da obra da falta de vaga, ele permaneceu ali, irredutível. Disse que desejava falar com Seu Manoel e que iria aguardá-lo:

– Eu não tenho pressa, não tenho pressa. Vou falar com Seu Manoel. Preciso falar com ele, preciso trabalhar, moço.

– Mas o senhor não parece que está precisando tanto assim de trabalho. Pedreiro de terno tem que estar muito bem de vida – disse o encarregado da construção.

O homem sorriu diante da observação, explicando:

– Eu só ando bem vestido, porque sou trabalhador. Ou será que um pedreiro, pelo fato de ser apenas um pedreiro, não pode vestir um terno?

– Claro que pode. Mas do jeito que a vida está, pedreiro só veste terno no dia do casamento da filha – falou e foi embora, atendendo o chamado de um colega de trabalho.

O homem permaneceu ali, acompanhando o trabalho, aguardando com paciência, o momento para falar com Seu Manoel. Havia decidido: ia esperá-lo o tempo que fosse necessário, mas iria falar com ele. Queria trabalhar, precisava trabalhar. Não arredaria pé dali sem que tivesse realizado o seu objetivo, o seu desejo. À tarde, inteirado da permanência do homem ainda na obra, Manoel mandou chamá-lo:

– Se um homem permanece tanto tempo pedindo trabalho, é porque ele deseja realmente trabalhar. Quero falar com ele, talvez possa dar um jeito.

– Vamos lá, moço. O Seu Manoel vai falar com o senhor. Vai lhe receber, acabei de falar com ele – disse o encarregado.

O homem apressou-se. Diante dele, Manoel Jacintho Coelho ficou surpreso e abriu os braços para abraçá-lo comovido e satisfeito.

O homem que ali estava, desejando de forma irredutível, trabalho na obra, era seu velho conhecido. Tratava-se do pedreiro Nelson Nunes de Almeida, aquele cuja perna havia curado e a quem havia entregue todo o dinheiro da feitura da edição inicial do Livro.

– Por onde você tem andado, Nelson? Como você está bem…

– Estou sim, graças a você, ao Verdadeiro DEUS e também Amélia Baiana. Aliás, foi ela quem me deu seu endereço.

– Como?… Eu não vejo a Amélia Baiana desde meu tempo de menino, quando morava lá na Cidade Nova, na Rua Barão do Iguatemi…

– Engraçado, Manoel, ela me disse que estava sempre com você…

Manoel sentiu um vento frio soprar-lhe as costas como se tivesse anunciando a presença de alguém ali. Talvez fosse ela, a negra Amélia Baiana de todos os favores, de todas as virtudes. A mãe dos desvalidos, dos aflitos, dos desesperados, do amor e do perdão.

– Mas, Manoel, andei a cidade toda à sua procura. Logo após ter saído de sua casa naquele dia, minha vida começou a se modificar. Além de ficar curado da ferida na perna, ganhei ânimo, coragem e disposição para enfrentar as dificuldades da vida. Durante sete dias, permaneci em repouso num hotelzinho no Catete. Depois, tratei de recuperar todas as minhas ferramentas de trabalho e fui à luta, trabalhando, trabalhando. Assim que equilibrei minha vida, fui procurá-lo. Queria pagar o dinheiro que o senhor havia me emprestado e também agradecer tudo aquilo que o senhor fez por mim. Mas quando cheguei ao Méier, não encontrei mais o senhor. Através dos vizinhos, fiquei sabendo de sua mudança para Jacarepaguá. Ontem, porém, passava pela Praça da Bandeira quando avistei Amélia Baiana. Ah! Que felicidade Seu Manoel. Corri ao seu encontro e fui abraçá-la, beijá-la. A coisa que mais desejei na vida foi revê-la. E à medida que eu ia vencendo na vida, a saudade que eu tinha dela foi aumentando. O senhor não pode imaginar a minha alegria ao vê-la ali caminhando. Quis levá-la comigo, cuidar dela. Mas ela disse que não, alegando que tinha muitos filhos para cuidar. Quis saber se ela estava precisando de dinheiro e Amélia respondeu que tinha o suficiente para viver. Quis saber então, onde ela estava morando, pensando em visitá-la periodicamente e ela me falou que estava morando com o senhor, aqui em Belford Roxo. Quando ela falou seu nome, minha alegria foi maior ainda, Seu Manoel. Como estou feliz de poder estar a seu lado, poder abraçá-lo.

– Mas você Nelson, você está trabalhando?

– Não, Seu Manoel, hoje sou um homem rico, não preciso mais trabalhar. Ou melhor, preciso trabalhar na construção da casa da Cultura Racional. Não por necessidade, mas por agradecimento. Quero também devolver o dinheiro que o senhor me emprestou e oferecer uma substancial quantia em dinheiro para ajudá-lo na feitura dos seus Livros, essa Obra gigantesca e importante.

– Mas como você conseguiu tanto dinheiro, Nelson?

– Ah! Através do trabalho que nunca mais me faltou e da dedicação. Acabei construindo a minha própria firma, uma pequenina empreiteira, de sociedade com um advogado. A coisa cresceu, Seu Manoel, deu lucros. E continua dando. Agora, não estou aqui como patrão, como dono de empresa. Eu serei para o senhor, para a Cultura Racional, para Amélia Baiana, o mesmo pedreiro que um dia você deu ajuda. Eu quero trabalhar no palácio da Cultura Racional, quero ajudar a construí-lo, não só com o dinheiro que tenho, mas empunhando a colher de pedreiro, virando a massa, dobrando o vergalhão…

Sonorizando a voz do bom pedreiro, o som da harpa dourada.

Sobre nalub7

Uma pessoa cuja preocupação única é trabalhar em prol da verdadeira consciência humana, inclusive a própria, através do desenvolvimento do raciocínio, com base nas leis naturais que regem a natureza e que se encontram no contencioso da cultura natural da natureza, a CULTURA RACIONAL, dos Livros Universo em Desencanto.
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2 respostas para O VERDADEIRO, DESENCANTO EU SOU! Nº 16 – O CAVALEIRO DA CONCÓRDIA PARTE 3

  1. Mary Sana disse:

    Grande exemplo de GRATIDÃO, esse RELATO do pedreiro Nelson Nunes de Almeida!
    E hoje, a melhor demonstração de AGRADECIMENTO por parte daqueles que estudam os Livros “Universo em Desencanto” e recebem inúmeros benefícios aliados à certeza da TRANSCENDÊNCIA, é fazer a sua DIVULGAÇÃO AOS QUATRO CANTOS DO MUNDO.
    Todos os povos precisam conhecer QUEM SÃO, DE ONDE VIERAM e PARA ONDE VÃO, pois esse direito concedido PELA SUPREMACIA UNIVERSAL não pode ser negado a ninguém.
    A ESCOLHA, essa sim, depende do livre arbítrio de cada qual, uma vez que a Natureza é de LIBERDADE e não interfere no caminhar de seus filhos, apenas ACOLHE os RECONHECIDOS de seus ILIMITADOS PODERES.

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